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A CURIOSA HISTÓRIA DO HOTEL YARA DE BANDEIRANTES

Tecendo comentários acerca de um dos mais qualificados pontos turísticos do Paraná durante o século XX


Publicado em 12/03/2025 | Por Júlio César Lordello

Luxuoso. Magnífico. Esplendoroso. Sonho. São muitos os adjetivos empregados ao Hotel Termas Yara, principalmente em seu auge. Foram cerca de quarenta anos de funcionamento sendo, a maioria desse tempo, de puro esplendor, luxo e alegrias. Um verdadeiro refúgio em meio à natureza e a calmaria, localizado no norte paranaense

O Gigante Yara não fez conhecido apenas seu dono, o empresário ítalo-brasileiro, Domingos Regalmuto, foi além, sendo responsável por tornar o município de Bandeirantes o destino de milhares de turistas ao longo dos seus anos de funcionamento. Em vista disso, o promissor município paranaense entrou, de vez, na rota turística e cultural do estado, se tornando referência.

Esse pequeno texto dividido em três partes terá como ênfase o retrato, de maneira simples, concisa e direta, de um pouco dessa curiosa história:

  • A primeira etapa é focada no descobrimento da fonte de água mineral, que deu origem ao Termas; 
  • dando sequência, a segunda parte se oferece para falar acerca da estrutura e dos momentos de glória do Yara e; 
  • por fim, a terceira e última parte, objetiva-se em exibir o panorama constituído após o hotel encerrar suas atividades.

 

O atrativo regional. Fonte: Jornal Folha do Norte Paranaense - Bandeirantes: História e Registros Históricos.

 

AS ÁGUAS YARA

A história do famigerado Hotel Termas Yara tem relação direta com a ousadia de seu proprietário, o empresário Paulo Domingos Regalmuto Coffa, um italiano, que veio ao Brasil para residir na cidade de São Paulo, mas que decidiu se aventurar por terras paranaenses. O jovem empresário, na época, deu esperanças aos bandeirantenses, que viam prosperidade e crescimento nos investimentos que seriam feitos na região após a sua chegada. Foram diversos os proveitos, que iam desde instalações de serviços, como uma serraria e uma carpintaria, até a construção de um posto de combustíveis. Contudo, o principal investimento de Regalmuto teria sido a aquisição das terras onde, posteriormente, seria construído o promissor hotel.  

Mas o enredo de como tudo isso aconteceu não é tão simples assim. A história cercada por casos e acasos parece uma trama bem escrita e de sucesso televisivo, porém, é fruto da mais pura realidade. Já instalado em Bandeirantes, no único hotel da cidade, que também lhe servia como escritório, o italiano, que naquela altura já tinha muito de Brasil em sua identidade, resolveu caminhar por suas terras recém adquiridas e, em determinada parte do caminho, sentiu um forte e diferente odor, parecido com enxofre. 

O enigmático acontecimento chamou a sua atenção e, aconselhado por amigos próximos, resolveu enviar uma amostra para a realização de um teste em laboratório, a fim de saber do que se tratava aquele cheiro. Então, quando o resultado chegou em suas mãos, foi comprovada a existência de água mineral em suas terras. Assim temos o início do conto de fadas das Águas Yara que, por sinal, recebe esse nome em homenagem a deusa das águas, representada em nosso folclore nacional.  

Um trabalho foi desempenhado para que se comprovasse, realmente, a presença de águas mineralizadas naquele localidade. De acordo com Walter de Oliveira, articulista do jornal Folha do Norte Paranense, o ritmo de trabalho empregado era semelhante ao que seria utilizado durante a construção de Brasília, em 1956, intenso e eficaz, dia e noite. A pressa para a realização do empreendimento era tamanha e digna de importância, pois, o que viesse a acontecer ali, também, viria a interferir, radicalmente, na história do município. 

 

INFLUÊNCIA NA ECONOMIA E NA CULTURA LOCAL

Em seu auge, o Termas Yara recebia hóspedes de diferentes locais do Brasil, tamanha era a sua fama. E isso acontecia, principalmente, por causa de suas águas, que viraram um atrativo especial do lugar. De acordo com fontes da época, elas tinham propriedades curativas, que chamavam a atenção das pessoas, que viam nelas, uma oportunidade de reparação e descanso. Aliás, a atividade hoteleira fazia parte de um combo, no qual constituía-se também pelo engarrafamento e distribuição das águas para todas as regiões do país.  

Ademais, o luxuoso hotel contava com cerca de duzentos aposentos, com o mais alto luxo e organização da época. Eram centenas de funcionários que proporcionavam conforto e mordomia aos hóspedes. Todo esse investimento moldado em sucesso possibilitou que a cidade de Bandeirantes entrasse de vez na rota do turismo nacional. O aparato turístico trouxe a Bandeirantes um crescimento econômico ímpar em sua história até aquele momento e, além disso, todas essas novidades trouxeram incrementos na área cultural, que agora se configurava como uma das mais movimentadas do estado. 

Todavia, todo esse sucesso vem a ser contrastado com uma sequência de infelizes acontecimentos. Acometido por uma trombose, o proprietário Domingos Regalmuto, vê a sua vida mudar drasticamente. Antes, o ativo empresário, agora tem de lidar com uma enfermidade que o limita fisicamente. Aquele audacioso empresário, agora enfrenta o maior desafio de sua vida. E fez isso com fé e coragem, até o limite de suas forças.

O sonho interrompido com o falecimento de seu proprietário Domingos Regalmuto, agora precisava de um novo comandante, um líder que pudesse seguir os passos daquele que construiu um verdadeiro império no crescente município paranaense. É aí que entra em cena, o filho unigênito de Regalmuto. Com o mesmo nome de seu pai, o herdeiro, parecia ter, também, o mesmo ímpeto. Não deixando o barco afundar, ele assume a administração de todos os negócios de sua família. 

Contudo, outra tragédia viria a assolar a família Regalmuto Coffa, Paulinho, como era conhecido o filho de Domingos Regalmuto, é vítima de um doloroso acidente automobilístico, enquanto ia para São Paulo encontrar-se com a sua esposa. A viagem, que não pode ser concluída, trouxe mais um capítulo para a história das Águas Yara.  

Diante de todo o exposto, os negócios do sonhador empresário italiano, que desembarcou em terras paranaense, passa a ter novos donos. Entretanto, mesmo com um inicial resgate e crescimento daquele que já tinha tido seus tempos de glória, não pode-se vir a impedir que o inevitável acontecesse. Dessa forma, o famigerado hotel fecha suas portas no começo da década de 1980.

Representação dos tempos de glória. Fonte: Facebook - Fazenda Yara.

 

OS ANOS 1980 E A ATUALIDADE

A década de 1980 se inicia de uma triste forma para aqueles que viveram momentos gloriosos no Termas Yara. A derrocada de um dos principais pontos turísticos do norte do Paraná era uma realidade. A administração de Pascoal D’Andrea, importante empresário paranaense, que adquiriu as terras onde estavam localizadas a Fazenda São Domingos e o Hotel Yara após o falecimento de Paulinho Regalmuto, proporcionou aos moradores de Bandeirantes e aos turistas que ainda frequentavam o local, lampejos do que um dia foi o Gigante Yara, contudo, como tudo na vida, até mesmo isso, chegou ao fim. 

Atualmente, as terras onde localizam-se o Yara e a São Domingos, estão sobre posse de novos donos, Claudio e Rafaela. Ambos zelam pela propriedade, que continua sendo um atrativo da região. A sua exuberante paisagem constitui um lindo cenário para sessões de fotos e a sua importância regional e cultural estabelece um primoroso vínculo de resgate histórico para as novas gerações. Embora esteja em ruínas, o Hotel ainda apresenta a mesma grandiosa estrutura, assim como a piscina de águas termais continua presente, sendo, portanto, um símbolo de anos repletos de história.  


 Fachada atual. Fonte: Arquivo particular.

 

O Hotel Termas Yara não está mais em funcionamento, porém continua sendo um belíssimo ponto turístico da nossa região, repleto de histórias e muita cultura envolvida. E, pensando nisso, a Nature Adventure já colocou o lugar como rota, e você não pode ficar de fora dessa! Aguardem, em breve teremos novidades! 

 

 

 

 

 




Júlio César Lordello

Júlio César Lordello

Sou um professor, historiador e curioso, que decidiu se aventurar pelas maravilhas da natureza e se apaixonou. Eu vejo significado em momentos e nos detalhes da vida e do mundo, e minha intenção é compartilhar essas experiências através de histórias.

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